Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
2

O primeiro livro a gente nunca esquece

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eis que estou aqui novamente para falar sobre leitura, atividade que me dá muita satisfação, aliás. Dessa vez, falarei sobre um livro muito especial, responsável pelo meu ingresso no mundo mágico das palavras. Não foi o primeiro livro que li, mas foi o mais significativo entre os primeiros. Trata-se do clássico infanto-juvenil O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (Clique no link para ter acesso à versão digitalizada do livro), obra do grande escritor baiano Jorge Amado.

A fábula narra a história de amor entre o Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, que, por razões óbvias, é absolutamente impossível. Como se a diferença de espécie não fosse suficiente, o Malhado ainda possui péssima fama entre os demais moradores locais. A Andorinha, por sua vez, é uma avezinha jovem e audaciosa, amada por todos e cuja beleza custou-lhe um noivado arranjado.
A paixão entre os protagonistas é tão intensa quanto o desfecho da história... Desfecho triste, por sinal. Confesso que chorei ao lê-lo pela primeira vez, aos 10 anos de idade.

Enfim, o livro é simples, mas tem o poder de atingir tanto crianças quanto adultos, devido ao seu caráter metafórico. Recomendo a leitura.

E para instigá-lo ainda mais, transcrevo um trecho do livro logo abaixo:

"Era uma vez antigamente, mas muito antigamente, nas profundas do passado, quando os bichos falavam, os cachorros eram amarrados com lingüiça, alfaiates casavam com princesas e as crianças chegavam no bico das cegonhas. Hoje, meninos e meninas já nascem sabendo tudo, aprendem no ventre materno, onde se fazem psicanalisar para escolher cada qual o complexo preferido, a angústia, a solidão, a violência. 

Aconteceu naquele então uma história de amor."

E ai? Animou-se? Corre para ler O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá e depois comenta aqui sobre o que achou. Assim me despeço, mas não sem antes agraciá-los com o Soneto do amor impossível, texto escrito pelo Gato para a Andorinha. Abraços e até logo.



2

Opinião - O guardião de memórias

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Como vocês já sabem, devido a esse post aqui, eu adoro ler. Então, unindo o útil ao agradável, resolvi compartilhar com vocês, leitores, as minhas impressões sobre livros que li. E, para começar, o título eleito é O Guardião de memórias, de Kim Edwards e, de acordo com a informação da capa, “primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times”. Não confio muito nessas listas, visto que já me decepcionei algumas vezes, mas resolvi dar um crédito e ler o livro.

Para preservar o enredo, não contarei o desfecho da história, então podem ler o texto tranquilamente, sem medo de spoilers. Abaixo, transcrevo uma breve sinopse do livro, conforme descrição presente na contracapa do mesmo: 

Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down.
Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu.
Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar.


O livro não prende o leitor como pretensamente afirma. A história em si não é magnífica e o desenrolar é cansativo. Minha irmã notou isso pela minha demora em lê-lo, vejam só. (Breve pausa para um riso furtivo). O grande acerto da autora, a meu ver, está na exposição profunda das emoções e contingências de cada personagem, fazendo com que nos aproximemos dos mesmos e até os entendamos.

É esse mergulho na subjetividade dos personagens que me fez entender os atos de David Henry e até sentir a angústia que ele sentiu. Ele não era uma pessoa ruim e, certamente, não merecia o destino que teve. O histórico de vida de David nos fornece respostas para os seus comportamentos de modo que não há como odiá-lo. Ele foi vítima de uma ferida aberta em seu passado que o tempo não conseguiu fechar.

Se por um lado o cirurgião ortopedista me comoveu, por outro senti uma crescente impaciência em relação à Norah. Cá entre nós: que mulher chata!

Perder um filho deve ser muito doloroso. Vivenciar a morte de um ente querido é, com certeza, uma experiência devastadora, pela qual não passei e espero não passar tão cedo. No caso de Norah, ela pensava ter perdido a sua filha recém-nascida e estava sofrendo por isso, o que é absolutamente compreensível. Seria crível se ela sofresse por um tempo, mas a criatura passou mais de 18 anos sofrendo pela ausência de uma criança que nunca chegou a ver. Pior ainda: um casamento feliz foi totalmente corroído devido à dificuldade de Norah em esquecer o evento traumático e seguir em frente.

Gente, isso é demais para mim. Se ela tivesse perdido a filha depois de um período de convivência, por exemplo, eu entenderia a extensão do seu sofrimento. Se ela tivesse um histórico de múltiplos abortos espontâneos, eu também entenderia. Mas, não. Era a sua primeira gestação e, ademais, ela ainda tinha um lindo garotinho para criar. Acredito que a autora forçou demais nesse aspecto.

Caroline Gill é outra personagem fundamental na história e é uma mulher facilmente amável. É impossível não se comover com a afeição mútua e crescente entre ela e a filha adotiva, Phoebe. Caroline é uma mulher que passou muito tempo esperando... Esperou que o sucesso, o amor, as realizações pessoais acontecessem e que a sua vida começasse a fazer sentido. Enquanto isso não acontecia, ela vivia um dia após o outro, esperando. Com o desenvolvimento da história, entretanto, vemos muitas transformações na enfermeira que passa de expectadora à protagonista de sua própria vida. Particularmente, torci bastante pela felicidade de Caroline Gill.

Enfim, como já havia alertado, O guardião de memórias não é um livro digno de grandes expectativas, mas está longe de ser ruim. Vale à pena lê-lo, com certeza.

Outra obra que vale a pena é o documentário Do luto à luta (2005), dirigido por Evaldo Mocarzel, que mostra pequenas, mas valiosas, vitórias de pessoas portadoras da síndrome de Down. Abaixo você poderá assistir à primeira parte deste documentário maravilhoso.



 É com esse vídeo fantástico que me despeço por hoje. Até breve, caro leitores!