Opinião - O guardião de memórias

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Como vocês já sabem, devido a esse post aqui, eu adoro ler. Então, unindo o útil ao agradável, resolvi compartilhar com vocês, leitores, as minhas impressões sobre livros que li. E, para começar, o título eleito é O Guardião de memórias, de Kim Edwards e, de acordo com a informação da capa, “primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times”. Não confio muito nessas listas, visto que já me decepcionei algumas vezes, mas resolvi dar um crédito e ler o livro.

Para preservar o enredo, não contarei o desfecho da história, então podem ler o texto tranquilamente, sem medo de spoilers. Abaixo, transcrevo uma breve sinopse do livro, conforme descrição presente na contracapa do mesmo: 

Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down.
Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu.
Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar.


O livro não prende o leitor como pretensamente afirma. A história em si não é magnífica e o desenrolar é cansativo. Minha irmã notou isso pela minha demora em lê-lo, vejam só. (Breve pausa para um riso furtivo). O grande acerto da autora, a meu ver, está na exposição profunda das emoções e contingências de cada personagem, fazendo com que nos aproximemos dos mesmos e até os entendamos.

É esse mergulho na subjetividade dos personagens que me fez entender os atos de David Henry e até sentir a angústia que ele sentiu. Ele não era uma pessoa ruim e, certamente, não merecia o destino que teve. O histórico de vida de David nos fornece respostas para os seus comportamentos de modo que não há como odiá-lo. Ele foi vítima de uma ferida aberta em seu passado que o tempo não conseguiu fechar.

Se por um lado o cirurgião ortopedista me comoveu, por outro senti uma crescente impaciência em relação à Norah. Cá entre nós: que mulher chata!

Perder um filho deve ser muito doloroso. Vivenciar a morte de um ente querido é, com certeza, uma experiência devastadora, pela qual não passei e espero não passar tão cedo. No caso de Norah, ela pensava ter perdido a sua filha recém-nascida e estava sofrendo por isso, o que é absolutamente compreensível. Seria crível se ela sofresse por um tempo, mas a criatura passou mais de 18 anos sofrendo pela ausência de uma criança que nunca chegou a ver. Pior ainda: um casamento feliz foi totalmente corroído devido à dificuldade de Norah em esquecer o evento traumático e seguir em frente.

Gente, isso é demais para mim. Se ela tivesse perdido a filha depois de um período de convivência, por exemplo, eu entenderia a extensão do seu sofrimento. Se ela tivesse um histórico de múltiplos abortos espontâneos, eu também entenderia. Mas, não. Era a sua primeira gestação e, ademais, ela ainda tinha um lindo garotinho para criar. Acredito que a autora forçou demais nesse aspecto.

Caroline Gill é outra personagem fundamental na história e é uma mulher facilmente amável. É impossível não se comover com a afeição mútua e crescente entre ela e a filha adotiva, Phoebe. Caroline é uma mulher que passou muito tempo esperando... Esperou que o sucesso, o amor, as realizações pessoais acontecessem e que a sua vida começasse a fazer sentido. Enquanto isso não acontecia, ela vivia um dia após o outro, esperando. Com o desenvolvimento da história, entretanto, vemos muitas transformações na enfermeira que passa de expectadora à protagonista de sua própria vida. Particularmente, torci bastante pela felicidade de Caroline Gill.

Enfim, como já havia alertado, O guardião de memórias não é um livro digno de grandes expectativas, mas está longe de ser ruim. Vale à pena lê-lo, com certeza.

Outra obra que vale a pena é o documentário Do luto à luta (2005), dirigido por Evaldo Mocarzel, que mostra pequenas, mas valiosas, vitórias de pessoas portadoras da síndrome de Down. Abaixo você poderá assistir à primeira parte deste documentário maravilhoso.



 É com esse vídeo fantástico que me despeço por hoje. Até breve, caro leitores!

2 comentários:

Filipe "Tchuko" disse...

Olá Dell,

Historinha meio chinfrim essa. Parece novela das oito da Globo. E esses livros nesse estilo, como A cabana, não me interessam nenhum um pouco..

Curto ficção científica. Mas continue lendo, pois mesmo a pior merda tem alguma coisa a nos ensinar. Espero que esse livro tenha te ensinado algo..

Bjão Vaqu..., ou melhor, Dell.

Dell Sales disse...

Oi, Thukinho!

Sim, parece novela das 8, mas acho válida a leitura. Também não gostei de A cabana e similares, mas sempre tem quem goste.

E veja o documentário, homem! É muito bacana mesmo... E você pode vê-lo na integra no youtube.

Bjiin

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